Parkinson e Intestino: estudos mostram que a doença pode começar na sua microbiota anos antes de chegar ao cérebro

Você já ouviu falar que o intestino é o nosso “segundo cérebro”? Na Doença de Parkinson, essa conexão é mais literal do que imaginávamos. Uma das teorias mais aceitas atualmente na neurociência é a Hipótese de Braak, que sugere que, em muitos casos, o Parkinson não começa no cérebro, mas sim no sistema nervoso do intestino.

A rota da doença
A teoria propõe que um agente externo (como uma toxina ou inflamação causada por bactérias ruins) desencadeia o acúmulo de uma proteína anormal chamada alfa-sinucleína no intestino. Essa proteína “doente” viajaria através do Nervo Vago (que conecta o abdômen à cabeça) até chegar ao tronco cerebral, onde começaria a causar os danos neurológicos.

Isso explica por que a constipação intestinal é um sintoma tão precoce, aparecendo até 20 anos antes do tremor.

O papel da Microbiota
Estudos mostram que pacientes com Parkinson possuem uma microbiota (flora intestinal) diferente, com mais bactérias pró-inflamatórias e menos bactérias protetoras. Essa disbiose (desequilíbrio) aumenta a inflamação sistêmica e a permeabilidade do intestino.

Cuidar da saúde intestinal com dieta anti-inflamatória, rica em fibras e probióticos, não é apenas bom para a digestão, mas pode ser uma estratégia importante de neuroproteção e manejo complementar da doença.

As informações acima têm finalidade educativa. Cada pessoa é única e pode precisar de orientações específicas. Se você apresenta sintomas ou deseja um diagnóstico preciso, agende uma consulta.

Dr. Davi Bravo Huguinim Légora
Neurologista
RQE 99960 | CRMSP 230015