Vivemos na cultura da produtividade, onde trabalhar até a exaustão é muitas vezes visto como medalha de honra. Mas o seu cérebro cobra um preço alto por isso. A Síndrome de Burnout (esgotamento profissional) foi reconhecida pela OMS como um fenômeno ocupacional, e seus efeitos na biologia cerebral são reais e preocupantes.
O cérebro em curto-circuito
Quando estamos sob estresse crônico de trabalho, nosso corpo é inundado por cortisol e adrenalina. A longo prazo, esse “banho químico” causa alterações estruturais:
- Encolhimento do Córtex Pré-Frontal: Essa é a área responsável pela tomada de decisões, planejamento e controle emocional. Por isso, pessoas com Burnout ficam indecisas, impulsivas e com dificuldade de concentração.
- Hiperatividade da Amígdala: A área do medo e da reação de luta ou fuga fica aumentada. O paciente vive em estado de alerta, ansiedade e irritabilidade constante.
- Danos à Memória: Como vimos, o estresse prejudica a formação de novas memórias.
O Burnout não é “frescura” ou falta de resiliência. É uma lesão funcional causada pelo ambiente. O tratamento envolve psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, muitas vezes, suporte medicamentoso para reequilibrar a neuroquímica e permitir que o cérebro se regenere.
As informações acima têm finalidade educativa. Cada pessoa é única e pode precisar de orientações específicas. Se você apresenta sintomas ou deseja um diagnóstico preciso, agende uma consulta.
Dr. Davi Bravo Huguinim Légora
Neurologista
RQE 99960 | CRMSP 230015