Dormir ao lado de alguém que se mexe muito pode ser incômodo, mas, em alguns casos, é um sinal médico importante. Normalmente, quando entramos na fase REM do sono (a fase dos sonhos mais vívidos), nosso cérebro “desliga” o tônus muscular. Ficamos paralisados justamente para não encenar nossos sonhos.
Porém, existe uma condição chamada Transtorno Comportamental do Sono REM (TCSR). Nela, essa “trava” de segurança falha. A pessoa não fica paralisada e acaba vivenciando fisicamente o sonho: ela chuta, dá socos, grita, cai da cama ou até agride o parceiro involuntariamente, geralmente durante pesadelos de perseguição ou luta.
Por que um neurologista deve avaliar isso?
Não é apenas um sono agitado. Estudos de longo prazo mostram que o TCSR é um biomarcador precoce de doenças neurodegenerativas, especialmente as chamadas sinucleinopatias, como a Doença de Parkinson e a Demência com Corpos de Lewy.
Isso não significa que todos que chutam à noite terão Parkinson. Mas significa que esse sintoma pode aparecer anos ou até décadas antes dos tremores ou da rigidez. Identificar e tratar esse distúrbio não só melhora a qualidade do sono e a segurança do paciente (evitando traumas físicos), como permite um acompanhamento neurológico preventivo muito mais eficaz.
As informações acima têm finalidade educativa. Cada pessoa é única e pode precisar de orientações específicas. Se você apresenta sintomas ou deseja um diagnóstico preciso, agende uma consulta.
Dr. Davi Bravo Huguinim Légora
Neurologista
RQE 99960 | CRMSP 230015